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As mulheres de hoje são tão diferentes

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Em um ato súbito de ‘as coisas vão mudar por aqui’ ela foi mexer nas gavetas

 

Notem como ela mudou. Já foi frágil e já foi Amélia nas canções. Andava tímida, reclusa, quase não falava. Observada em todo tempo, avaliada por todos, tinha medo de se expor. Conhecia bem uma palavra: obedecer. Sequer votava. Tinha que guardar a opinião para si ou para depois. Bem depois.

 

Notem como ela se vestia. Diante das imposições, restava-lhe vestir-se e sair de cabeça baixa. Era preparada para tarefas ‘exclusivas’ ao gênero. Trabalhar? Só em casa. Deveria ser zelosa e útil sem perder o sorriso e a fragilidade. Era subserviente, até que mudou!

 

As coisas iam bem, mas não para ela. Um dia, alguém sentiu um cheiro diferente no ar. Vinha dela que desta vez não exalava cheiro de perfume. Em um ato súbito de ‘as coisas vão mudar por aqui’, foi mexer nas gavetas. Mas desta vez, não era com o intuito de organizar as peças. Quis atear algumas coisas e queimou os soutiens. Saiu de si, cansou do silêncio, deu um basta na fragilidade.

 

Aquela fumaça tinha um aroma diferente. Cheirava a liberdade e gritava aos quatro ventos a mudança que estava por vir. Não eram soutiens que queimavam. Eram os anos de silêncio, de medo, de injustiças e de escravidão que ela guardava na gaveta. Tenha certeza de aquele momento foi libertador. Duvido que desfazer-se de uma peça de roupa foi tão prazeroso para uma mulher como foi para ela quando queimou aquele soutien.

 

Ela agora influencia. Levanta bandeiras. E como não poderia deixar de ser, as amigas correram a também colocar fogo na injustiça, no preconceito e na solidão. Hoje elas são muitas. Deixaram de ser reclusas. Espalharam-se. Estão nos departamentos. Pintaram de rosa o governo, a educação e os direitos. Retocaram a maquiagem e deixaram a vida mais bonita com um toque que são só delas.

 

Notem como ela mudou. Aquela que representava o sexo frágil agora vai às praças. Coloca os saltos da independência e luta por igualdade. Não ouse dizer a ela como vestir-se e o que fazer, tampouco diminua os direitos dela diante dos homens. O misto de ‘manteiga derretida’ e ‘Joana Darc’ sabe sorrir como ninguém, mas quando entra em uma briga ninguém a segura. Mesmo que chore litros depois.

 

Notem como tudo mudou, mas nada se perdeu. Com a vibração de uma criança que ganhou a primeira bicicleta ela saiu às ruas. Ganhou força, mas não perdeu a sensibilidade, tampouco a graça que a envolve. Não perdeu o sorriso, não deixou de chorar – ainda que escondido. Ela mudou, mas a sua capacidade de amar extrapolou todos os limites. Briga pelo direito de se vestir como quiser, mas se derrete com um presente, com um afago e com um elogio. Ela mudou, mas nada se perdeu.

 

Sua força está nas palavras, nos gestos. Sua autoridade está no olhar seguro, na certeza que lhe movimenta. Sabe corrigir com amor, conquista com sabedoria. É conselheira, mas busca direção sem medo. Compartilha segredos. Não tem medo de dizer o que pensa. Acaricia o filho que amamenta, enquanto lê o jornal e se movimenta por mudanças. Caminha com altivez, ainda que preocupada com a dieta. Oscila o tempo com a hora na manicure e reuniões que podem mudar o mundo. Não se conforma com injustiça, não deixa as coisas como estão, mas ainda chora no final de um filme. Que bom que ela mudou!

 

Pra. Luisa Neves

 

 

 

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